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Todos os direitos são iguais conforme consta na Constituição. Mas, será que a sociedade e o meio estão aptos a proporcionar essa equidade?
Muitas pessoas não estão preparadas para conviver com pessoas portadoras de deficiência visual porque não sabem o que fazer, como fazer, ou até mesmo por medo de parecer preconceituoso em algum momento ou e por falta de informação, pois o próprio preconceito envolve o medo, quando se desconhecendo a deficiência.
Quando todos começarem a ver as pessoas com deficiência visual como normais, entenderão que apenas é preciso se adaptarem e fazer algumas mudanças em suas vidas para desenvolverem atividades diárias conforme a sua capacidade e seus limites, como todos, e que os deficientes visuais são diferentes em alguns aspectos e estas diferenças não as tornam incapazes. Cabe a todos, apenas aprender a conviver com as diferenças.
Diferenças estas que poderiam ser amenizadas em nossa cidade se Jaboticabal oferecesse acessibilidade urbanística, como por exemplo, se não tivesse buracos, bicicleta, carro, placas publicitárias, mesas e cadeiras, orelhões sem alinhamento adequado nas calçadas.
Se as leis que visam melhorar a vida do deficiente visual, existentes no município, como a nº 3.454, de 27 de outubro de 2005, que obriga a criação de cardápio em Braille e a de nº 3.744, de 10 de abril de 2008, que institui a identificação em Braille para a localização de produtos em supermercados e afins, fossem cumpridas não somente por alguns estabelecimentos.
Então surge o questionamento: Existe fiscalização em cima de tais leis? E a resposta é não, pois segundo o responsável pelo Setor de Fiscalização e Obras e Posturas do município, Sr. Plínio Fontes, “a Prefeitura está estudando uma forma para adequar as leis que visam o bem-estar dos deficientes visuais, porém, já existem empresas interessadas em fazer o teste para adaptação”.
Segundo uma das coordenadoras da ACC (Associação Cristiane da Costa) - Olhos da Alma, Maria Cristina Seabra Mialick, se os supermercados, assim como outros estabelecimentos, promoverem um programa que dê liberdade à pessoa com deficiência visual, de saber qual o produto que desja e quanto custa, sem a ajuda de terceiros, facilitará muito a vida deles, que é uma pena todos os estabelecimentos ainda não terem se adequado.
Cristina comenta ainda que não acredita que o cumprimento das leis seja um descaso da sociedade, acredita que o cidadão não a conhece “Quando as pessoas com deficiência são informadas destes direitos eles cobram, fazem valer”.
Como diz o Sr. Antonio Carlos Xavier, que perdeu a visão por causa do Diabetes. “Acredito que se aplicarem as leis e oferecessem melhorias como calçadas adequadas, teríamos condições de trafegar normalmente pelas ruas com autonomia”.
Se a legislação fosse cumprida, e o ser humano se adaptasse às diferenças, facilitaria e muito a convivência e a independência de locomoção, para 950 mil cegos, ou 0,5% da população do planeta conforme anuncia a Organização Mundial de Saúde (Publicação ARPENSP-21-01-09), facilitaria também a vida de milhões de pessoas portadores de outras deficiências.
Espero e conto que as autoridades da cidade façam valer os direitos e as leis, afinal quem sente na pele as dificuldades não podem esperar.
Afinal, como eles enxergam?
Quando perdemos um sentido, passamos a usar mais os outros e por ser necessário, aguçamos os que nos restaram.
O tato é desenvolvido e um deficiente visual reconhece formatos, objeto e tudo mais que possa ser tateado. Através do Braille (sistema de leitura e escrita para deficientes visuais), o cego pode ler qualquer informação ou conteúdo e por meio da audição, atravessar a rua, reconhecer as pessoas e trabalhar com sons, e as bengala possibilita a locomoção de forma independente. |