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Alguns anos atrás esse padrão de “modelo” nem era cogitado.
A indústria da moda definia rigorosos padrões de beleza, dentro dos quais certamente uma gordinha não se enquadraria. Hoje, com uma nova tendência de mercado, as mulheres, mesmo com uns quilinhos a mais tem chance de brilhar nas passarelas.
Elas fazem parte da categoria Plus Size, que englobam modelos que vestem manequim 42 em diante, mais não é só isso, para ser uma modelo Plus Size, as modelos precisam ser também fotogênicas e carismáticas.
Apesar da nova tendência das modelos Plus Size aparentar um ótimo incentivo à mulher brasileira, cujos padrões estão muito longe dos que se vê nas passarelas, um estudo da Universidade de Arizona comprovou que as modelos “normais”, ao invés de aumentarem, diminuem a auto-estima das mulheres consumidoras de campanhas publicitárias.
Segundo o estudo, ao ver as modelos Plus Size, as mulheres se sentiriam mais gordinhas do que realmente são.
A tendência das modelos reais surgiu a partir de iniciativa da empresa de cosméticos Dove. Segundo pesquisa realizada pela empresa em 2004 com 3.200 mulheres entre 18 e 64 anos em 10 países, apenas 2% delas se definiram belas e 15% trocariam 25% de inteligência por 25% de beleza.
Motivada pela baixa auto-estima do público feminino, a Dove lançou a campanha “Pela Real Beleza”, que traz mulheres com todas as imperfeições que uma mulher normal tem: quilinhos a mais, estrias e celulites.
Em 2008 a Dove promoveu no Brasil a campanha “Verão Sem Vergonha” que ressalta a beleza da mulher brasileira, motivando-a a aproveitar a praia e exibir as curvas.
O psicólogo e consultor da campanha da Dove Dr. Marco Antonio De Tomasso acredita que a iniciativa da empresa se trata de uma campanha não apenas pela beleza real, mas pela saúde pública. “Precisamos de apoio de grandes empresas e campanhas governamentais, para que eduquem a população e forneçam um contraponto a estes ‘padrões’ da mídia”.
Para ele, a área da saúde não tem força para, sozinha, efetivar a prevenção de transtornos como anorexia nervosa e bulimia, por isso o apoio da publicidade é tão importante.
Além de ser questão de saúde, psicólogos consideram que ser magro atualmente é critério de inclusão social. “Com um novo padrão de beleza as mulheres reais vão se sentir mais aceitas pela sociedade”.
A modelo Plus Size Andressa Oliveira, que também representa esta nova tendência para o Brasil, considera iniciativas como a da Dove importantes para o público, além de ressaltarem a beleza da mulher como ela é. “A mulher real é baixinha, gordinha, alta, magrinha. Ela é diversificada, e não este padrão que a mídia impôs”, explica.
Sobre o benefício da exposição de modelos reais na mídia, Manu Maciel relembra um caso marcante de sua carreira: “Uma vez uma mulher me falou que, ao me ver, se sentia melhor e menos pressionada a seguir o padrão magérrimo”.
Mas não são apenas as mulheres que comemoram a beleza real nas campanhas publicitárias. O vendedor Eduardo Oliveira também. “Eu não acho essas mulheres magras bonitas. Para mim, tem que ter onde pegar”, diverte-se. Um exemplo de que esta nova tendência agrada muita gente.
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